Havia ali um terreno, bastante grande, cercado por uma cerca. Era administrado por uma certa organização que dava a impressão de ser sua proprietária. Mas isso não era verdade. A organização apenas supervisionava a vida de vários grupos de pessoas que viviam ali — e ninguém sabia de onde tinham vindo.
Cada grupo era composto por cerca de trinta membros. Eram organizados de modo que, todos os dias, pudessem ir a um grande ginásio, o que era extremamente importante, já que fora dele não havia nada de interessante que se pudesse fazer na propriedade.
O ginásio podia ser acessado por elevadores no lado oeste. Sair, porém, só era possível pelos elevadores no lado leste. No lado sul havia também uma escada — uma saída de emergência. Mas a entrada por ela era estritamente proibida. Caso contrário, as regras seriam quebradas.
Em todos os trinta anos de vida de Jason, isso aconteceu apenas uma vez: pessoas usaram aquela escada. Foi uma exceção. Cinco anos antes, o velho senhor Novak piorara de repente enquanto jogava futebol. Ninguém sequer percebeu, e ele já estava caindo no chão — um ataque cardíaco.
Acreditando que ainda poderia ser salvo, não hesitaram e o levaram para fora pela escada. Foi então que Jason percebeu que os degraus levavam até o telhado.
Durante um mês inteiro, ele não conseguiu tirar aquilo da cabeça. Todos os dias pensava no que aconteceria se subisse até lá e quebrasse a regra — mas, mais do que isso, imaginava o que veria.
Por fim, ele criou coragem. Subiu até o telhado enquanto todos os outros estavam no ginásio. Eram seis horas. Ele ainda tinha duas horas.
Além de florestas distantes, o sol estava se pondo. Jason nunca tinha visto algo tão bonito e, desde então, passou a subir ao telhado pelo menos duas vezes por semana. Sempre às seis horas.
Enquanto o sol desaparecia atrás das copas das árvores, ele frequentemente se fazia uma pergunta: — O que há lá fora?
Diziam que havia rios, montanhas e mares. Mas ninguém jamais tinha ido até lá, porque também não era permitido. A única coisa que se podia fazer era jogar o jogo no ginásio — um jogo dentro do qual qualquer coisa podia então ser jogada.
O jogo tinha apenas uma regra: quando chegava a hora destinada a um grupo no ginásio, nenhum membro desse grupo podia — nem mesmo por um único olhar — encontrar qualquer membro de qualquer outro grupo.
O problema era que todo grupo que entrava no ginásio pelos elevadores do oeste, que só subiam, só podia sair às oito da noite — a hora em que os elevadores do leste desciam.
Isso significava que os grupos precisavam se esconder uns dos outros dentro do ginásio. Sempre tinha sido assim.
O ginásio abria às quatro horas. Havia cinco grupos. Cada grupo tinha uma hora. O ginásio era muito disputado.
O esconderijo mais fácil eram os elevadores do leste, onde bastava fechar as portas e ninguém via ninguém. Também era possível se esconder nos banheiros ou em outras salas, como a cafeteria, mas ali o risco era maior. O mais absurdo de todo o jogo era que todos sabiam que quase todos estavam escondidos nos elevadores. Mas a regra era não se ver.
O jogo ficou muito mais difícil quando a administração decidiu que as portas dos elevadores do leste não poderiam mais ser fechadas. O pânico se espalhou. Todos temiam punições severas se fossem vistos. Alguns chegaram a considerar parar de frequentar o ginásio. Mas, sem o ginásio, a vida era impossível.
Foi Jason quem, um dia após o endurecimento da regra, percebeu uma escotilha no teto de um dos elevadores. Ele a abriu e descobriu que, acima dos elevadores, tanto do oeste quanto do leste, havia um grande vão onde poderiam esperar facilmente até as oito horas, quando o jogo terminava e todos podiam sair juntos.
Agora todos se escondiam acima dos elevadores. Assim foi durante quatro anos. A administração, é claro, sabia, mas não conseguia inventar nada que tornasse o jogo ainda mais desagradável.
Um dia, enquanto todos estavam novamente sentados no vão, apenas esperando dar oito horas, algo excepcional aconteceu.
— Que se foda isso. Isso é chato. Tô cansado dessa merda — disse Jason.
Vários rostos o encararam de olhos arregalados. A maioria preferiu nem olhar para ele.
Jason desceu para dentro do elevador. Foi visto quase imediatamente. Estavam jogando basquete. Tudo parou. Um silêncio quase fúnebre tomou conta.
Jason atravessou o limiar do elevador e entrou no ginásio.
— Feliz Natal! — disse, e continuou andando. Era junho.
— Ei, você não pode estar aqui! — alguém gritou. Era um homem grande, quase dois metros de altura, segurando uma bola.
Jason o viu e disse: — Vem aqui! — E sem parar, seguiu diretamente para a porta da escada.
— Eu? — o homem perguntou, apontando para si.
— É, você!
O sujeito o alcançou e se colocou em seu caminho.
— Você não está jogando! Por que não está jogando?
— Tá falando sério? — Jason perguntou, olhando-o diretamente nos olhos.
O homem não conseguiu responder. Todos observavam, mortos de medo.
— Sabe o que? Vai se foder — disse Jason.
O homem deixou a bola cair. Ela bateu em seu pé e rolou para longe.
— Hospital! Hospital! — o homem gritou, recuando, quase tropeçando nos próprios pés.
Jason abriu a porta da escada, desceu e caminhou até a cerca do terreno. Havia ali um pequeno portão. Nem sequer tinha cadeado. Ele o abriu e foi embora.