Daniel Harnol

Vincent van Gogh

As pinturas de Vincent van Gogh são certamente únicas, e se são belas ou não depende de quem as observa — assim como acontecia naquela época.

A verdade é que, enquanto ele pintava, quase ninguém realmente se importava com sua obra. Exceto seu irmão, que muito provavelmente se preocupava mais em mantê-lo vivo do que com a arte em si.

Então, por que tanto tempo depois?

A história diria que simplesmente não era o tempo dele. Que os tempos eram diferentes. As pessoas valorizavam pinceladas suaves, anatomia realista, temas bíblicos ou nobres, superfícies que pareciam quase fotografias.

Então surgiu um homem que fez exatamente o oposto. Isso sempre leva tempo para ser aceito, especialmente quando aparece de forma isolada.

É um fenômeno comum que aquilo que é belo em um século pode não ser em outro. E assim, muitos anos depois, Van Gogh se tornou — e permanece — um dos maiores pintores que já existiram.

Mas não foram apenas as pinturas que foram redescobertas. Mais do que isso, foi a história. A vida do autor.

A arte foi criada a partir do amor e da paixão de um lado, e do sofrimento, da autotortura e de algo ainda mais perturbador do outro. Qual desses lados chamou mais atenção, talvez até mais do que a própria obra?

Havia curiosidade demais. As pessoas queriam ver com os próprios olhos se aquilo que tinham ouvido podia ser encontrado nas pinturas. Ainda assim, as pinturas eram secundárias.

O sofrimento, quando é seguro e não pertence ao observador, é profundamente interessante — quase sensacional.

O sofrimento carrega peso. Promete acesso à verdade. Parece mais confiável do que o amor. E, quando é filtrado ou transformado em arte, seu valor parece crescer imensamente.

Quem suporta a dor é facilmente admirado, faça o que fizer. A ponto de a admiração começar a ignorar a realidade, como se o sofrimento fosse a medida mais alta e única.

Talvez possa ser — mas apenas enquanto permanece pessoal, dentro de limites, onde ninguém mais é prejudicado.

O tempo foi necessário aqui. A distância tornou o sofrimento estético e, portanto, seguro. Conviver com uma pessoa com transtorno mental é desconfortável. Um artista morto, com transtorno mental, é fascinante.

O que significariam as pinturas de Van Gogh se ele não tivesse sido doente? A sociedade não parece fazer essa pergunta.

Ele cortou a própria orelha, colocou-a em uma caixa e a entregou a uma mulher de quem ele supostamente gostava.

Um grande artista não significa necessariamente um grande ser humano.

Ele não estava bem. Precisava de ajuda.

E talvez seja também por isso que as pessoas admiram as pinturas — isso nos dá uma desculpa para uma responsabilidade que um dia tivemos.

Van Gogh não é uma exceção, apenas um caso tornado seguro pelo tempo.