
Erich Maria Remarque
Clássicos
Primeira publicação: 1 de janeiro de 1936
Idioma original: alemão
Goodreads
A história me pareceu sombria, quase depressiva, desde o início, por um motivo principal: o álcool. Tudo gira em torno da bebida. Embora eu não tenha gostado disso, preciso reconhecer que justamente esse elemento foi importante no livro, caso contrário talvez ele nem pudesse ser lido.
Eu imaginava que o autor tivesse problemas com a bebida. Pesquisei e isso foi confirmado. Além disso, ele também tinha outros problemas psicológicos. Apesar disso, ou talvez justamente por causa disso, o texto é bem, até muito bem escrito. Às vezes, apenas algumas comparações estranhas me causaram estranheza. Por exemplo: “O céu estava verde como uma maçã.”
Além disso, de vez em quando aparecem pequenas explicações adicionais, como se o autor não confiasse totalmente no leitor. Mas não é nada grave. A história vai se desenvolvendo aos poucos e é enriquecida por sentimentalismo, filosofia e romance, tudo isso geralmente por meio dos personagens. O tema principal é o amor, mas também há a guerra, a pobreza e outros temas.
A maior qualidade deste livro é que ele é muito vivo. As emoções são perceptíveis. E foi justamente por isso que, por volta da metade, o livro me conquistou. Eu o considerei muito bom e esperava que ficasse ainda melhor.
Só que a progressão aconteceu em algum ponto depois da primeira metade, e então tudo já estava claro. O restante era apenas preenchimento, que desacelerou absurdamente a história, enquanto os temas principais começaram a se repetir.
Aquilo que havia me conquistado no livro acabou se tornando irritante para mim. No começo, o sentimentalismo era natural e saudável. Depois, o autor começou a forçá-lo em tudo, como se tentasse transformar cada coisa em algo maior do que ela realmente era.
Por exemplo, aquelas cenas constantemente repetidas com o carro chamado Karel. Em vez de o carro simplesmente ir do ponto A ao ponto B, porque naquele momento, na minha opinião, isso seria o mais adequado, o autor quase transforma o carro em uma pessoa que precisa vivenciar cada quilômetro percorrido.
Durante todo esse tempo, procurei a palavra certa para esse tipo de escrita, para esse gênero. Cheguei até a pensar em uma palavra como “telenovela”. Mas isso seria uma ofensa ao livro. Depois pensei que era “drama”. Mas isso seria forte demais, porque acabaria valorizando demais o livro também.
Então li outras resenhas e finalmente encontrei. Era melodrama. Algo entre uma telenovela e um drama. Foi uma pena. Porque nunca antes eu tinha ficado tão empolgado com um livro e, depois, tão decepcionado com ele, a ponto de voltar a pular trechos.
Se o livro fosse mais curto, se tivesse terminado pouco depois de tudo já estar claro, eu o avaliaria muito melhor. Ainda assim, ele está entre os melhores, e li que está longe de ser a melhor obra do autor, então vou tentar novamente no futuro.