Cataratas do Iguaçu

Beleza… existem muitas formas.

O olhar para outra pessoa — desejo e paixão. Nossos filhos — amor. Ou a arquitetura. Como as pessoas fizeram isso?

Depois, a beleza na arte — a capacidade de expressar algo.

E a vida. Uma beleza que muitas vezes nem somos capazes de enxergar.

Mas existe uma beleza à qual talvez nenhuma outra possa se comparar. Aquela que surgiu por si mesma, da inocência. É tão antiga quanto o próprio mundo.

A natureza.

Que beleza deve ter visto o primeiro homem que descobriu as Cataratas do Iguaçu? O que ele sentiu?

Há algo rugindo ali, forte, como um terremoto. Água, água imensa. Ela cai. Cai de todos os lados, como se o céu tivesse se rasgado acima dela.

Certamente aquele homem não conseguiu desviar o olhar. Tanta beleza entrava nele que parecia estar se afogando nela.

Seu nome era Cabeza de Vaca, um explorador espanhol. Em 1549, ele descia o rio Iguaçu. Dizem que ficou maravilhado. Soa quase banal.

Em guarani, Iguaçu é a junção das palavras “água” e “grande”. Mas isso vem depois. Enquanto a pessoa está ali, não há palavras, não há nomes. Certamente há também aqueles que acabam chorando.

O mais belo da natureza é que ela consegue fazer algo simplesmente sem propósito. Talvez seja por isso que a admiramos tanto. Ela não tem ambições. E isso é muito bonito. Ela pode simplesmente ser. E ser para sempre. O que é belo é eterno.

Será mesmo?

Apenas 180 quilômetros ao norte, entre Guaíra, no Brasil, e Salto del Guairá, no Paraguai, existiam as cataratas de Sete Quedas. Eram muito mais grandiosas que as do Iguaçu.

Hoje elas não existem mais. Estão sob as águas da represa de Itaipu. O mundo quase as esqueceu. Nem mesmo no Brasil se fala muito sobre elas. Talvez apenas no Paraguai algumas pessoas ainda se lembrem.

Será que aquelas cataratas eram feias para que o homem precisasse cobri-las com água?

Assim como admiramos a beleza da natureza, talvez também pudéssemos admirar a ousadia de algumas pessoas.

O que é realmente eterno?

As cataratas ainda estão lá. Apenas dormem. Talvez estejam esperando. E talvez um dia voltem a aparecer.

Até lá, admiremos aquilo que restou.

As Cataratas do Iguaçu.