O ônibus

Como a morte chega? De repente ou devagar? Ela corre? Se arrasta?

“Amigo!” um homem acena com a mão, quase ficando na ponta de um pé só. Na outra mão segura uma maleta.

O ônibus para. As portas se abrem. O motorista olha para ele.

“Ah. Esse não é o meu.”

O motorista aperta um botão, as portas se fecham com um tranco, a transmissão rosna e os freios soltam um chiado. O ônibus vai embora. O motorista não está nem um pouco irritado, não tem pressa nenhuma. Está só fazendo o trabalho dele, parando a cada cinco minutos.

Mas as pessoas ficam irritadas. “De novo atrasado.”

Como não estaria? Imagina a quantidade de idiotas que ele precisa carregar por aí.

Pessoas normais andam de carro. Às vezes dirigem rápido. Mas até quem dirige devagar pode sofrer um acidente. O mesmo vale pra quem anda a pé.

Hmmm. E correr? Não! Voar! Ou talvez seja melhor não fazer absolutamente nada?

Merda, alguma coisa está me observando. Não é a primeira vez. Às vezes tenho a sensação de que conversamos em silêncio. Enquanto isso, continuo fingindo que não vejo.

Está rindo de mim.

Insetinho, rebanho, deslizar, a e i o u.

Vou viajar nas férias, vou inventar alguma coisa. Vou começar a me exercitar. Ou escrever, cantar.

Ainda está ali.

OK, vamos ser amigos.

“Um número?”

Claro. Um número. É.

Sim, eu vou te ligar, vou ligar mesmo. Prometo.

Futuro.

Porra, o que quer agora?